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Infraestrutura de IA nos Negócios: Integração e Competitividade Estratégica. Crédito: Imagem gerada por IA.

Cris Alessi

Cris Alessi

Cris Alessi é consultora de inovação e transformação digital, conselheira, palestrante, investidora-anjo e autora do livro "Gestão de Startups: desafios e oportunidades”.

Jornadas de inovação

IA já não é mais uma aposta. É a nova infraestrutura da competitividade

06/07/2026 11:44
Assunto recorrente em dez entre dez empresas, a inteligência artificial passou de uma realidade distante para uma preocupação presente na agenda dos executivos.
Uma pesquisa da IDC, comissionada pela Microsoft Brasil, mostra que 88% dos executivos brasileiros acreditam que a inteligência artificial será o principal motor de competitividade até 2030. O dado é significativo porque revela uma mudança de mentalidade: a IA deixou de ser tratada como uma ferramenta de eficiência para assumir um papel estratégico na geração de valor e no crescimento dos negócios.
Os números ajudam a explicar essa transformação. As empresas participantes do estudo reportaram ganhos médios de 24,5% associados às iniciativas de inteligência artificial, com impactos diretos na satisfação do cliente, na produtividade, na eficiência operacional, na redução de riscos e na aceleração do lançamento de produtos e serviços.
Mas talvez o dado mais relevante não esteja nos resultados alcançados até aqui. Está na velocidade com que as organizações estão se movimentando para ampliar a adoção da tecnologia. Atualmente, apenas 23% das empresas entrevistadas afirmam ter escalado a IA para múltiplas áreas de negócio. Em dois anos, esse percentual deve chegar a 51%.
Estamos assistindo ao fim da fase de experimentação.
A pergunta deixou de ser “devemos usar inteligência artificial?” e passou a ser “como escalar a inteligência artificial de forma segura, ética e competitiva?”.
Essa mudança de perspectiva é semelhante ao que ocorreu com a internet nos anos 2000 e com a transformação digital na década passada. Em um primeiro momento, as organizações enxergam essas tecnologias como iniciativas isoladas. Depois perceberam que elas redefinem a forma de competir.
Com a IA acontecer o mesmo.
A inteligência artificial não é mais apenas uma tecnologia. Ela está se tornando a infraestrutura que sustentará praticamente todos os setores da economia. E é justamente por isso que a velocidade importa. Se a internet levou mais de uma década para alcançar os processos estratégicos das organizações, a IA avança em um ritmo muito mais acelerado, transformando negócios, profissões e mercados em questão de meses.
Outro aspecto que chama atenção no estudo é o crescimento dos chamados agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas, tomar decisões operacionais e interagir com diferentes processos de forma autônoma. Mais da metade das empresas brasileiras já experimenta ou utiliza esses recursos.
Isso indica que estamos entrando em uma nova etapa da evolução organizacional. Não se trata apenas de pessoas utilizando ferramentas de IA, mas de profissionais trabalhando ao lado de agentes digitais especializados.
Esse cenário inaugura um novo desafio para as lideranças.
Se antes o diferencial competitivo estava na capacidade de implementar tecnologia, agora ele passa a depender da capacidade de combinar inteligência humana e inteligência artificial. As organizações que conseguirem desenvolver essa integração terão maior velocidade de inovação, capacidade analítica e eficiência operacional.
No entanto, existe um fator fundamental nessa discussão — e talvez o mais complexo de todos: as pessoas.
A própria pesquisa mostra que a escassez de talentos é uma das principais barreiras para a adoção da IA. Em resposta, empresas estão ampliando investimentos em capacitação e revisando funções, responsabilidades e competências internas.
Isso reforça uma realidade que muitas organizações ainda resistem em aceitar: a transformação impulsionada pela inteligência artificial não é apenas tecnológica. Ela é, sobretudo, cultural.
Ferramentas podem ser adquiridas rapidamente. Cultura, confiança, liderança e capacidade de adaptação levam mais tempo para serem construídas.
As empresas que sairão na frente não serão necessariamente aquelas que possuírem os algoritmos mais sofisticados. Serão aquelas capazes de criar ambientes onde pessoas e tecnologia evoluem juntas.
A competitividade da próxima década será definida menos pela adoção da inteligência artificial e mais pela capacidade de transformar essa tecnologia em decisões melhores, inovação contínua e valor real para clientes e sociedade.
Não participar dessa transformação deixou de ser uma opção. Mas participar de forma estratégica, responsável e consistente será o diferencial das organizações que desejam liderar — e não apenas acompanhar — a próxima onda de transformação econômica e tecnológica.

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