
Cris Alessi
Cris Alessi é consultora de inovação e transformação digital, conselheira, palestrante, investidora-anjo e autora do livro "Gestão de Startups: desafios e oportunidades”.
Jornadas de inovação
Inteligência Artificial e a matéria escura do universo
Da matéria do universo à Inteligência Artificial. Ainda repercutindo o lançamento da Plataforma de IA da NVIDIA, não posso deixar de ressaltar a escolha do seu nome Vera Rubin. A Plataforma se trata de um ecossistema completo, combinando chips, softwares e servidores projetados para acelerar o treinamento e a execução de modelos de IA. Uma das empresas com maior protagonismo tecnológico do presente, escolher uma mulher para nomear um produto tão disruptivo tem um significado enorme para quem acompanha e trabalha pela equidade de gênero no mundo da tecnologia.
Primeiro vamos entender quem foi Vera Rubin.
Astrônoma norte-americana, nascida em 1928, ela enxergou o que ninguém via: um universo movido por uma força invisível, a matéria escura. Sua descoberta mudou a forma como compreendemos o cosmos — mas o mais impressionante é que Vera conseguiu fazer isso em uma época em que mulheres sequer podiam entrar em muitos observatórios.
Na década de 1950, Vera foi recusada pela Universidade de Princeton simplesmente por ser mulher. Trabalhou em horários alternativos, com instrumentos emprestados, enfrentando uma comunidade científica que duvidava de sua presença antes mesmo de ouvir suas ideias. Ainda assim, persistiu.
E foi dessa persistência — quase silenciosa, mas inabalável — que veio uma das maiores contribuições da história da astronomia moderna: a comprovação de que a maior parte do universo é feita de algo que não podemos ver, mas que sustenta tudo o que existe.
E foi dessa persistência — quase silenciosa, mas inabalável — que veio uma das maiores contribuições da história da astronomia moderna: a comprovação de que a maior parte do universo é feita de algo que não podemos ver, mas que sustenta tudo o que existe.
A Vera Rubin da ciência revelou o invisível do cosmos; a Vera Rubin da tecnologia (plataforma da NVIDIA) promete revelar o invisível dos dados.
Em ambos os casos, estamos falando sobre dar visibilidade ao que sustenta o mundo — seja o universo físico, seja o digital.
Em ambos os casos, estamos falando sobre dar visibilidade ao que sustenta o mundo — seja o universo físico, seja o digital.
Mas o que esse gesto representa num contexto mais amplo?
A ciência e a tecnologia ainda são campos onde as mulheres permanecem sub-representadas. Dados indicam que mulheres representam apenas entre 25% e 30% da força de trabalho em tecnologia, em outras palavras: ainda vivemos um tipo de “matéria escura” social — uma força feminina que está presente, potente, mas muitas vezes não reconhecida.
A ciência e a tecnologia ainda são campos onde as mulheres permanecem sub-representadas. Dados indicam que mulheres representam apenas entre 25% e 30% da força de trabalho em tecnologia, em outras palavras: ainda vivemos um tipo de “matéria escura” social — uma força feminina que está presente, potente, mas muitas vezes não reconhecida.
Homenagear Vera Rubin é mais do que relembrar uma cientista brilhante. É um convite para olhar de forma crítica e inspirada para o agora. Se no século passado ela lutou para que mulheres pudessem participar da ciência, hoje a luta é para que as mulheres liderem a criação da inteligência artificial, da robótica, da biotecnologia e da sustentabilidade digital.
Não basta estar nos laboratórios — é preciso estar nas decisões, nas políticas de dados, na ética da IA e na arquitetura dos algoritmos que moldam o futuro.
Não basta estar nos laboratórios — é preciso estar nas decisões, nas políticas de dados, na ética da IA e na arquitetura dos algoritmos que moldam o futuro.
A história de Vera Rubin nos ensina que enxergar o invisível é mais do que uma metáfora científica — é um ato de coragem.
Hoje, quando uma empresa como a NVIDIA decide associar seu maior avanço em IA ao nome de uma mulher, há uma mensagem clara: o futuro da tecnologia precisa carregar propósito, diversidade e humanidade.
O legado de Vera Rubin é um lembrete de que ver além é um gesto de poder. Poder de questionar, de propor, de existir — mesmo quando ninguém espera que você esteja ali.
E talvez esse seja o maior paralelo entre a ciência de ontem e a tecnologia de hoje: tanto o universo quanto a inteligência artificial estão cheios de matéria invisível — e é nosso papel, como sociedade, fazer com que o invisível seja finalmente reconhecido.
E talvez esse seja o maior paralelo entre a ciência de ontem e a tecnologia de hoje: tanto o universo quanto a inteligência artificial estão cheios de matéria invisível — e é nosso papel, como sociedade, fazer com que o invisível seja finalmente reconhecido.



